Tempo é dinheiro, talvez a mais famosa frase dentre os taxistas de Nova Iorque. Não que eu já tenha ido pra lá, mas aprendemos desde pequenos o significado desta frase. Só sabe o significado real dessa frase, quem realmente já viu ele passar na frente de seus olhos.
Um exemplo simples, passar algumas horas dentro de um cinema vendo um bom filme, ou passar a noite ao lado da pessoa que você gosta, o tempo é um simples amigo seu, você desfruta cada um de seus preciosos segundos e não da o verdadeiro valor que ele merece.
Agora tente segurar um carvão em brasa com as mãos nuas, ou até uma pequena farpa que entra no seu dedo, quanto valor você da pro tempo até que ela seja retirada? Cada segundo parece muito maior do que é e minutos não são tolerados.
E se você pudesse controlar o tempo? Se no momento em que uma pessoa que você gosta esta prestes a entrar no portão de embarque do aeroporto, o que você faria? Se aqueles minutos finais de uma prova se tornassem uma hora, você teria passado de ano? E aquele beijo na boca que você almejou por dias?
Passei 62 horas seguidas trabalhando esse final de semana, sono, fome, dor, uma mistura de sentimentos e estava completamente alheio ao que acontecia fora de uma sala que não tem janelas, já não sabia mais se era dia ou se era noite, e ainda assim se pudesse teria congelado o tempo para me certificar de que o trabalho seria terminado a tempo e com qualidade.
Fiz uma visita recente ao tumulo de minha mãe, e apenas por um segundo me flagrei imaginando como seria dar um abraço nela, só um, por mais rápido que fosse, seriam com certeza os melhores segundos de minha vida. Mas o tempo é implacável, ele simplesmente passa e leva com ele tudo.
Qual é a diferença entre presente, passado e futuro? Cada um tem sua própria interpretação, a minha, é que o passado é uma lembrança, não importa se é agradável ou desagradável faz parte da sua história, orgulhe-se dela. O futuro? Dizem que você pode planejar o seu futuro, tenho minhas duvidas, ele é incerto e você também pode receber surpresas agradáveis ou desagradáveis.
Agora o presente, horas, a palavra é auto-explicativa!
Aproveito cada segundo de minha vida como se fossem os últimos, já me perguntaram se vale a pena ou se isso me faz bem. Não sei responder. Mas uma coisa eu garanto, eu quero é mais!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
f(x) = a.x + b
Uma reta! A função mais simples conhecida em nossa matemática. Previsível e de fácil solução, onde podemos obter sua raiz empregando no máximo uma operação de divisão. Que de tão simples aprendemos a manuseá-la na sexta série do ensino fundamental. E quem nos dera toda nossa matemática fosse de simples manuseio como a função de uma reta. Nesse campo existem diversas nuances não lineares que ainda desconhecemos solução, ou tampouco sua utilidade no mundo físico. Obscuridades nos universos de espaços amostrais, séries e trigonometria.
E lá vou eu de novo tentar contextualizar comportamentos humanos na rigidez maleável dos fenômenos físicos.
Vamos partir da premissa que afinidade é representada pela equação de uma reta. Ela tem direção bem definida (para cima ou para baixo) e seu coeficiente angular representa a velocidade em que ela aumenta (ou diminui). Simples assim. Visível assim. Para todo seu espaço amostral. Se considerarmos que essa função “pura” nunca será parada, poderíamos inferir que afinidade terminaria em “mais infinito” ou “menos infinito”.
Mas a matemática admite que associemos duas ou mais funções. O que novamente podemos fazer analogia as afinidades, sentimentos e redondezas. E nessa associação de funções sentimentais a resultante pode ser desconhecida ou sem solução. Como aquelas equações do mundo numérico que até se pagam prêmios em dinheiro para quem solucioná-las. Há uma linha muito tênue entre afinidade simples e pura e afinidade mais algoritmos perigosos.
Mais infinito, menos infinito, zero? Conseguimos sua tendência, mas não onde finalmente vai parar. E a falta de conhecimento matemático em fenômenos físicos pode gerar grandes danos às redondezas. Para reduzir a zero esses perigos de danos, matemáticos (ou psiquiatras) do mundo inteiro procuram a solução para essas equações imprevisíveis e desconhecidas.
E lembrando, para quem descobrir a solução, paga-se prêmio em dinheiro.
***
E lá vou eu de novo tentar contextualizar comportamentos humanos na rigidez maleável dos fenômenos físicos.
Vamos partir da premissa que afinidade é representada pela equação de uma reta. Ela tem direção bem definida (para cima ou para baixo) e seu coeficiente angular representa a velocidade em que ela aumenta (ou diminui). Simples assim. Visível assim. Para todo seu espaço amostral. Se considerarmos que essa função “pura” nunca será parada, poderíamos inferir que afinidade terminaria em “mais infinito” ou “menos infinito”.
Mas a matemática admite que associemos duas ou mais funções. O que novamente podemos fazer analogia as afinidades, sentimentos e redondezas. E nessa associação de funções sentimentais a resultante pode ser desconhecida ou sem solução. Como aquelas equações do mundo numérico que até se pagam prêmios em dinheiro para quem solucioná-las. Há uma linha muito tênue entre afinidade simples e pura e afinidade mais algoritmos perigosos.
Mais infinito, menos infinito, zero? Conseguimos sua tendência, mas não onde finalmente vai parar. E a falta de conhecimento matemático em fenômenos físicos pode gerar grandes danos às redondezas. Para reduzir a zero esses perigos de danos, matemáticos (ou psiquiatras) do mundo inteiro procuram a solução para essas equações imprevisíveis e desconhecidas.
E lembrando, para quem descobrir a solução, paga-se prêmio em dinheiro.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pink Fest 2009
- 120 pessoas
- 1 casal, ou 2, ou 3...
- 1 Roupão
- 2 Orelinhas
- Plumas e Anteninhas
- Open Bar
- Vomito no Banheiro
- Sexo no Banheiro?
- Uma briga
- Um stress
E muito, muito cor-de-rosa.
Apud: Palavras Chave - de Correali
- 1 casal, ou 2, ou 3...
- 1 Roupão
- 2 Orelinhas
- Plumas e Anteninhas
- Open Bar
- Vomito no Banheiro
- Sexo no Banheiro?
- Uma briga
- Um stress
E muito, muito cor-de-rosa.
Apud: Palavras Chave - de Correali
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Recado
Você tem certeza do que você quer ser? Revisite seus sonhos, e veja quais realmente perduram e quais já secaram e possuem apenas uma casca oca. Revisite seus poemas, e tenha certeza que estão sendo escritos no tom do presente. Revisite seu passado, e visite logo a pendência mais procrastinada que possui. É um “barato” duro, mas necessário. Parece que você se perdeu um pouco, não está mais leve como antigamente. Seja magnânimo consigo mesmo, e defina teu destino de forma justa e decidida como sempre foi. Sobretudo não queira ser muito adulto nem bem resolvido demais. Revisite você mesmo, e terá de novo a paz de espírito que sei que não está encontrando agora.
***
***
domingo, 22 de novembro de 2009
Saúde, Cheers, Prost, Salute...
"A cerveja é a prova viva de que Deus nos ama e nos quer ver felizes."
Benjamin Franklin
"Faça sempre lúcido o que você disse que faria bêbado. Isso o ensinará a manter sua boca fechada."
Ernest Hemmingway
"Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja."
Platão
"Um país não pode ser um país de verdade senão tiver ao menos uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver uma equipe de futebol, ou armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja."
Frank Zappa
"Se Deus soubesse que nós beberíamos cerveja, nos teria dado dois estômagos."
David Daye
"A cerveja me faz sentir da forma como gostaria de me sentir sem cerveja."
Henry Lawson
"Sem dúvida, a maior invenção da história da humanidade é a cerveja. Eu admito que a roda também é uma grande invenção, mas a roda não desce tão bem com uma pizza."
Dave Barry
"Dê-me uma mulher que ame a cerveja e eu conquistarei o mundo."
Kaiser Wilhelm
"Eu mataria todos neste quarto por um gole de cerveja."
Homer Simpson
"Nem todos os produtos químicos são maus. Sem elementos químicos tais como o hidrogênio e o oxigênio, para o exemplo, não haveria nenhuma maneira fazer água, um ingrediente vital para a cerveja."
Dave Barry
"Eu bebo para fazer as outras pessoas interessantes."
Dave Barry
"Cervejal: a causa e a solução de todos os problemas da vida."
Homer Simpson
"Não nos incomodamos se você atirar bosta no palco, mas não atire na nossa cerveja - é o nosso combustível!"
James Hetfield, Metallica
“Eu recomendo... pão, carne, vegetais e cerveja.”
Sófocles na Filosofia para uma dieta moderada.
“24 horas num dia, 24 garrafas num engradado. Coincidência? Não me parece...”
Stephen Wright
“Mulheres bonitas fazem-nos comprar cerveja. Mulheres feias fazem-nos beber cerveja.”
Al Bundy
“Pessoas que gostam de cerveja sem álcool não gostam verdadeiramente de cerveja; elas apenas gostam de urinar!”
Anónimo
“Do suor do Homem e do amor de Deus veio a cerveja ao mundo.”
Santo Arnaldo
“Vou comprar um barco... viajar um pouco e no entretanto vou estar a beber cerveja.”
John Welsh, condutor de autocarros de Brooklyn que ganhou 30 milhões de
dólares na loteria.
“A melhor forma de se morrer é sentarmo-nos debaixo de uma árvore, comer toneladas de bolonha e salami, beber um engradado de cervejas e depois explodir!”
Art Donovan, aka Fatso
“Eu gostaria que todos tivéssemos sempre sorte! Eu gostaria que tivéssemos asas! Eu gostaria que a água da chuva fosse cerveja.”
Robert Bolt
“Dá um peixe a um homem e ele o comerá. Ensina-o a pescar e ele ficará todo o dia sentado no barco a beber cerveja.”
Anónimo
“Ser rico não é importante: nunca poderás beber mais de 30 a 40 copos de cerveja por dia”
Coronel Adolphus Busch
"Quanto mais a mulher bebe, menos ela reclama. O importante é mante-la sempre com a boca cheia."
Oddone
Benjamin Franklin
"Faça sempre lúcido o que você disse que faria bêbado. Isso o ensinará a manter sua boca fechada."
Ernest Hemmingway
"Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja."
Platão
"Um país não pode ser um país de verdade senão tiver ao menos uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver uma equipe de futebol, ou armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja."
Frank Zappa
"Se Deus soubesse que nós beberíamos cerveja, nos teria dado dois estômagos."
David Daye
"A cerveja me faz sentir da forma como gostaria de me sentir sem cerveja."
Henry Lawson
"Sem dúvida, a maior invenção da história da humanidade é a cerveja. Eu admito que a roda também é uma grande invenção, mas a roda não desce tão bem com uma pizza."
Dave Barry
"Dê-me uma mulher que ame a cerveja e eu conquistarei o mundo."
Kaiser Wilhelm
"Eu mataria todos neste quarto por um gole de cerveja."
Homer Simpson
"Nem todos os produtos químicos são maus. Sem elementos químicos tais como o hidrogênio e o oxigênio, para o exemplo, não haveria nenhuma maneira fazer água, um ingrediente vital para a cerveja."
Dave Barry
"Eu bebo para fazer as outras pessoas interessantes."
Dave Barry
"Cervejal: a causa e a solução de todos os problemas da vida."
Homer Simpson
"Não nos incomodamos se você atirar bosta no palco, mas não atire na nossa cerveja - é o nosso combustível!"
James Hetfield, Metallica
“Eu recomendo... pão, carne, vegetais e cerveja.”
Sófocles na Filosofia para uma dieta moderada.
“24 horas num dia, 24 garrafas num engradado. Coincidência? Não me parece...”
Stephen Wright
“Mulheres bonitas fazem-nos comprar cerveja. Mulheres feias fazem-nos beber cerveja.”
Al Bundy
“Pessoas que gostam de cerveja sem álcool não gostam verdadeiramente de cerveja; elas apenas gostam de urinar!”
Anónimo
“Do suor do Homem e do amor de Deus veio a cerveja ao mundo.”
Santo Arnaldo
“Vou comprar um barco... viajar um pouco e no entretanto vou estar a beber cerveja.”
John Welsh, condutor de autocarros de Brooklyn que ganhou 30 milhões de
dólares na loteria.
“A melhor forma de se morrer é sentarmo-nos debaixo de uma árvore, comer toneladas de bolonha e salami, beber um engradado de cervejas e depois explodir!”
Art Donovan, aka Fatso
“Eu gostaria que todos tivéssemos sempre sorte! Eu gostaria que tivéssemos asas! Eu gostaria que a água da chuva fosse cerveja.”
Robert Bolt
“Dá um peixe a um homem e ele o comerá. Ensina-o a pescar e ele ficará todo o dia sentado no barco a beber cerveja.”
Anónimo
“Ser rico não é importante: nunca poderás beber mais de 30 a 40 copos de cerveja por dia”
Coronel Adolphus Busch
"Quanto mais a mulher bebe, menos ela reclama. O importante é mante-la sempre com a boca cheia."
Oddone
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
...
Algo vem me incomodando, não é de hoje, tem um tempo já. As vezes de dia, as vezes de noite. Não ouço sua voz, apenas sinto sua presença, me vem a mente o seu semblante de cobrança, aquela mordida no lábio inferior quando ficava insatisfeita com algo. Estamos com saudade um do outro, mas talvez o medo ou a raiva me desviam do caminho toda vez que resolvo ir vê-la. Me incomoda. Não sei se não tenho coragem, não há de ser nada demais, já se ofereceram pra ir comigo, mas não, tenho que fazer isso sozinho, afinal sempre foi sozinho que tivemos nossas melhores conversas. Talvez eu leve um maço de cigarros, ela sempre gostou mais do que flores. Acho que o que mais me incomoda, não é o fato de eu ter que ir até lá, o que mais me incomoda é que agora tenho data marcada, me incomoda eu não poder mais adiar, me incomoda ser o seu aniversário.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Exorcismo
Bati o carro. A única explicação plausível para a situação que estava. Cacos de vidro entre meus dedos, barulho de serra nas minhas orelhas e ferragens estranhas me impedindo de me movimentar. O sangue espesso que sentia em meus pés era meu? Sim. Sou retirado um tanto quanto fraco, mas não reivindico ajuda dos bombeiros. Sigo meu caminho ainda sangrando um pouco. Sinto frio.
Não entendia muito bem o caminho. Me sentia enfraquecido, talvez pela batida ou pela perda de sangue. Deparo-me com um puteiro. Entrei nele e procurei por uma loira que preste. Paguei o triplo do preço para ela, afinal meu estado era repulsivo. Ela não se deitaria comigo pelo preço normal. Mas deitou. Só deitou. Paguei para ficarmos deitados, com ela dizendo ao pé do meu ouvido que ficaríamos juntos para sempre. Dei-lhe o último centavo do dinheiro combinado. Estava feliz por fazer com que o dinheiro não camuflasse nenhum interesse egoísta atrás de uma falsa nobreza admirável.
Sentia muita dor nas pernas, talvez tivesse um fêmur fraturado. Mas minha apatia era maior que a dor, e isso me fazia não parar. Sem ainda entender o caminho, entrei num beco. Três adolescentes e algumas gramas de cocaína. A cada aspirada daquela suprimia mais minhas dores. Após a última carreira, cuspi um tanto de sangue no chão e quis andar mais.
Achei minha casa. Ao entrar num surto de raiva destruí móveis e decorações. Rasguei e queimei fotos da minha família. Sem me importar entro no quarto e me deparo com um demônio na cama. Pele avermelhada, rija, com veias saltando. Um sorriso plastificado em seu rosto. Ácido. A dor voltava e me sentia cada vez mais fraco. Sentei na cama, por cima dele passando uma perna minha em cada lado de seu tronco. Ele era horas quente, a ponto de me queimar e horas frio, a ponto de deixar minha carne quase quebradiça.
Experimentei uma sensação completamente nova. Que não poderia ser explicada como a sensação de dor ou a sensação causada pela cocaína. Ele ainda estava ali, mas já não sorria. Sai de cima daquele demônio, procurei por um cobertor e o cobri dos pés até o pescoço. Sentei-me no chão, ao lado da cama, envolvi uma de suas mãos à minha e comecei a cantarolar baixo. Havia votos de boas coisas em todas as notas da música. Sua respiração era cada vez mais ofegante. Deitei-me ao seu lado, e disse que toda a andança dessa noite era errada, mas estava feliz por mandar ao inferno minhas curiosidades indevidas sobre sua existência. Cantarolei mais alguma coisa até pegar no sono.
Acordei com uma luz forte no meu rosto e senti alguém pulando em cima de mim. Era minha mulher, me batendo com um travesseiro. Me chamava de preguiçoso vagabundo enquanto ria. Roubou-me um beijo e pediu ao pé do meu ouvido que levantasse, para dividir o resto do dia com ela. Saí da cama sentindo meu corpo absurdamente dolorido. Ouvi dela que estava tudo pronto e fui conduzido até a sala. No sofá duas malas coloridas e meus filhos sentados à mesa terminando o café e disputando o mais novo brinde do cereal. Logo que me viram correram para me abraçar, quase me derrubando ao chão. Na estante, fotos da família desde o casamento até os tempos de hoje em dia.
Saímos à rua, toda arborizada e num dia ensolarado caminhávamos. Eu, minha mulher e meus filhos. Um de cada lado de mim, conversando entre si:
- Você viu que fazem exorcismos naquela igrejinha?
- Que nada, tudo mentira!
- Ah! Você está com medo de ir lá e ver um demônio!
- Que medo que nada! Pai, existem demônios?
- Talvez tenha existido filho, mas não mais, não mais...
***
Não entendia muito bem o caminho. Me sentia enfraquecido, talvez pela batida ou pela perda de sangue. Deparo-me com um puteiro. Entrei nele e procurei por uma loira que preste. Paguei o triplo do preço para ela, afinal meu estado era repulsivo. Ela não se deitaria comigo pelo preço normal. Mas deitou. Só deitou. Paguei para ficarmos deitados, com ela dizendo ao pé do meu ouvido que ficaríamos juntos para sempre. Dei-lhe o último centavo do dinheiro combinado. Estava feliz por fazer com que o dinheiro não camuflasse nenhum interesse egoísta atrás de uma falsa nobreza admirável.
Sentia muita dor nas pernas, talvez tivesse um fêmur fraturado. Mas minha apatia era maior que a dor, e isso me fazia não parar. Sem ainda entender o caminho, entrei num beco. Três adolescentes e algumas gramas de cocaína. A cada aspirada daquela suprimia mais minhas dores. Após a última carreira, cuspi um tanto de sangue no chão e quis andar mais.
Achei minha casa. Ao entrar num surto de raiva destruí móveis e decorações. Rasguei e queimei fotos da minha família. Sem me importar entro no quarto e me deparo com um demônio na cama. Pele avermelhada, rija, com veias saltando. Um sorriso plastificado em seu rosto. Ácido. A dor voltava e me sentia cada vez mais fraco. Sentei na cama, por cima dele passando uma perna minha em cada lado de seu tronco. Ele era horas quente, a ponto de me queimar e horas frio, a ponto de deixar minha carne quase quebradiça.
Experimentei uma sensação completamente nova. Que não poderia ser explicada como a sensação de dor ou a sensação causada pela cocaína. Ele ainda estava ali, mas já não sorria. Sai de cima daquele demônio, procurei por um cobertor e o cobri dos pés até o pescoço. Sentei-me no chão, ao lado da cama, envolvi uma de suas mãos à minha e comecei a cantarolar baixo. Havia votos de boas coisas em todas as notas da música. Sua respiração era cada vez mais ofegante. Deitei-me ao seu lado, e disse que toda a andança dessa noite era errada, mas estava feliz por mandar ao inferno minhas curiosidades indevidas sobre sua existência. Cantarolei mais alguma coisa até pegar no sono.
Acordei com uma luz forte no meu rosto e senti alguém pulando em cima de mim. Era minha mulher, me batendo com um travesseiro. Me chamava de preguiçoso vagabundo enquanto ria. Roubou-me um beijo e pediu ao pé do meu ouvido que levantasse, para dividir o resto do dia com ela. Saí da cama sentindo meu corpo absurdamente dolorido. Ouvi dela que estava tudo pronto e fui conduzido até a sala. No sofá duas malas coloridas e meus filhos sentados à mesa terminando o café e disputando o mais novo brinde do cereal. Logo que me viram correram para me abraçar, quase me derrubando ao chão. Na estante, fotos da família desde o casamento até os tempos de hoje em dia.
Saímos à rua, toda arborizada e num dia ensolarado caminhávamos. Eu, minha mulher e meus filhos. Um de cada lado de mim, conversando entre si:
- Você viu que fazem exorcismos naquela igrejinha?
- Que nada, tudo mentira!
- Ah! Você está com medo de ir lá e ver um demônio!
- Que medo que nada! Pai, existem demônios?
- Talvez tenha existido filho, mas não mais, não mais...
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